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Vinhos e espumantes
 
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A uva. O vinho traz em si a sua verdade

 


Num copo de vinho o que encontramos nada mais é que "suco de uva" transformado pela fermentação, pelo trabalho na cantina e pelo tempo.

Como dissemos na aula anterior não existe tecnologia capaz de transformar uma uva medíocre num grande vinho. Está, portanto, na qualidade dos cachos da uva que se vai produzir, a premissa necessária para um grande vinho, um vinho de valor.

É fundamental a escolha da variedade que melhor se adapte a cada contexto geográfico e ambiental específico. É uma escolha difícil para o viticultor, que deve levar em conta inclusive as tendências do mercado futuro, tentando com isto antecipar suas previsões. Não podemos esquecer que um novo vinhedo, por exemplo, só começa a produzir uva de qualidade a partir do terceiro ano.

A variedade da uva, claro, é importantíssimo no vinho. Os franceses espalharam o Cabernet e clonaram variedades e tipologias específicas. Os clones são numerados. O Cabernet clone 170, para exemplificar,faz um cacho diferente de um outro. É importante, sobretudo, escolher a variedade correta, de acordo com o sistema de cultivo adequado, além do que as operações no vinhedo devem ajustar-se à produção que se deseja obter.

O Pinot Negro é típico e nos facilita compreender os diversos fatores que concorrem para uma viticultura de qualidade. Esta uva, da casca preta, é uma das protagonistas do champagne e de muitos outros espumantes, método clássico, mas é também a uva da qual são produzidos vinhos tintos dentre os melhores do mundo, como os Borgognas da França e muitos italianos também.

No primeiro caso, obviamente, as uvas são vinificadas em branco, ou seja, sem a casca, responsável pela cor dos vinhos e no segundo com ela. Os clones porém não serão os mesmos. Existem variedades de Pinot Negro
indicadas para espumantes, ou, se se puder dizer melhor e assim: para a
espumantização. Outras, ideais para a produção de grandes vinhos tintos.

Para espumantes os cachos da uva serão mais cheios e as frutinhas maiores. No caso dos tintos os cachos possuem dimensões reduzidas e as frutinhas serão menores, determinando, contudo, uma boa relação polpa/casca. E é nesta, a rigor, que se esconde, em sua maioria, as substâncias fenólicas, ou os chamados polifenóis, importantíssimos para os vinhos tintos.

Os sistemas de cultivo, ainda no nosso exemplo e também as operações no vinhedo são diferentes. Se a produção se destina a espumantes é possível
manter um nível de produção elevado, mas se é para produzir vinho tinto é preciso um sistema de cultivo orientado para a obtenção de baixo rendimento, ou seja, um rendimento menor por hectare para concentrar bem o polifenol nas uvas, tentando-se sempre concentrar as substâncias num número menor de cachos.

No seu ciclo de vida vegetativa, a planta da uva transfere ao fruto um
determinado número de substâncias e na medida em que se reduz o número de cachos se obterá, obviamente, uvas mais ricas e concentradas.

O que não se pode é errar no clone ou na variedade escolhida. Continuando com nosso exemplo. Vinificando em tinto, uvas Pinot destinadas à espumantização, obteremos vinhos fracos de estrutura, com pouca cor, poucos taninos e elevada acidez. Ao contrário, a vinificação em branco de cachos de Pinot indicados para a produção de vinhos tinto, proporcionará um vinho com pouca acidez, elemento importantíssimo nos espumantes.

Conclusão, válida para a viticultura em geral: para cada tipologia de vinho existem variedades e clones adequados e regras de cultura especificamente indicadas. É portanto fundamental definir antes, a destinação enológica, ou seja, aquilo que se quer obter de cada vinhedo e respeitá-la.

O objetivo na Cantina será sempre aquele de não "arruinar" a matéria prima que a natureza produziu.

COMENTÁRIOS

- O vinho branco é feito de uvas brancas embora uvas pretas possam ser utilizadas desde que não sejam esmagadas e sim prensadas. Depois de permitir que o sumo tenha se depositado, a fermentação começa. Este processo é mais longo que o do tinto e a temperatura exata e a sua duração variam dependendo do estilo de vinho.

- O processo usado para se fazer o tinto é semelhante ao branco, só que a casca da uva é mantida em contato com o sumo em fermentação, dando assim muito mais intensidade no sabor e na cor do vinho. A fermentação, que dura de 10 a 30 dias, é a uma temperatura mais alta para os tintos do que para os brancos. O vinho pode ser envelhecido tanto em barris quanto em tinas antes de ser engarrafado.